Fora Temer: o SEAAC esteve presente nas principais marchas sindicais do último mês

A crise política brasileira e os atos contra o Governo Temer estão pegando fogo, não para menos. No último mês, trabalhadores e trabalhadoras têm lutado contra a Reforma Trabalhista, Reforma da Previdência e Terceirização. Como se não bastasse, a Lava-Jato pegou em cheio Temer e aliados por meio de delação premiada – e premeditada – dos irmãos Batistas, donos da JBS.
Com os brasileiros à loucura, os movimentos reforçam o grito de “Fora Temer”, as preocupações com o futuro de quem depende dos direitos trabalhistas já assegurados, a maioria, e a insatisfação com um governo corrupto que rasga os direitos e as estruturas dos brasileiros.

 

O Brasil parou no dia 28 de abril

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Foto: Reprodução / El País

No ritmo das Reformas trabalhista e da previdência, e da crise política que daria início ao caos, o Brasil mostrou inquietação às ações no dia 28 de abril, que se estabeleceu um dia de Greve Geral. Às 4h da manhã, capitais e demais cidades iniciaram as manifestações, boa parte delas pacíficas, como em Bauru, São Paulo, que reuniu cerca de 10 mil pessoas, segundo as centrais sindicais. No local, o SEAAC estava lado a lado de sindicatos dos trabalhadores de diversos setores, servidores públicos, funcionários dos Correios, professores, movimentos estudantis e outros. Os principais questionamentos foram sobre as decisões impostas pelo presidente com a justificativa de redução de custos. O Ministério Público do Trabalho afirmou a greve como legítima em nota assinada pelo procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury: “A greve é um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal”.

1 de maio, em São Paulo

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Foto: Reprodução/G1

As ações pontuais de 1 de maio, Dia do Trabalho, já estavam previstas antes mesmo da convocação da Greve Geral, em abril, pelos mesmos motivos e pela mesma indignação. O evento pretendeu não só comemorar com grandes shows, mas também rebater e reivindicar direitos a respeito da aceleração de aprovações das propostas das Reformas. Na ocasião, Alvaro Egea, secretário-geral da CSB reafirmou o clima: “Vivemos uma situação excepcional em que essa data é um marco de luta, e não de celebração. Tanto os trabalhadores quanto os advogados trabalhistas, o Ministério Público do Trabalho, todo o universo do trabalho está contra as propostas de reformas da Previdência e trabalhista”.

 

24 de Maio, em Brasília

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Foto: Daniela Orofino / Mídia Ninja

As informações da CSB indicam que mais de 200 mil pessoas, entre trabalhadores e dirigentes sindicais pediram, à priori, a renúncia do presidente Temer em marcha realizada em Brasília, Distrito Federal, no dia 24 de maio. A imprensa internacional também esteve na local e o presidente do SEAAC, Lázaro Eugênio, se pronunciou dizendo que saiu de Bauru, mais de 16 horas de viagem, com trabalhadores, equipes e colegas de causa, para defender os direitos, para combater a Reforma Previdenciária, a Reforma Trabalhista e o governo corrupto que não tem legitimidade
pra mais nada, e que precisa ser reformado. “Nesse momento, a reforma é a queda de Michel Temer”, defende Lázaro.

As repressões

Testemunhando, Lázaro, o presidente do SEAAC contou o que viu na manifestação. “Eu estava presente lá, ao lado da grade que eles colocaram a mais de um quilômetro do Congresso Nacional, na Praça dos Três Poderes, e não podíamos ultrapassar. Tinham, sim, alguns baderneiros, mas eles não estavam conosco, não faziam parte do nosso movimento. Eram menos de 50 pessoas. Nós tínhamos mais de 100 mil trabalhadores ali e as bombas de gás lacrimogêneo eram lançadas a 500, 600 metros de distância. Elas eram atiradas com armas. Então, não era para espantar baderneiro, era pra atingir todo mundo que estava ali. Os caminhões-palco que estavam a 30 metros não conseguiam suportar o gás. Pessoas vomitando, pessoas desmaiando. Uma brutalidade que não era necessária”, conta.

“Alguns desses baderneiros certamente estavam lá infiltrados. Foram para causar confusão. As pessoas estavam ali orquestradas. Faziam parte de um grupo que, aparentemente, estava ali só pra fazer aquilo, independente de qualquer ideologia. Uma das pessoas que estava lá, por exemplo, não quis nem se identificar para nós, de qual grupo era, deixando claramente a impressão de que era um infiltrado no movimento.”

Temer acionou as Forças Armadas para controlar os atos de vandalismo, já que seis ministérios foram alvos de depredação. Em todo caso, a medida não foi vista com bons olhos pelos trabalhadores que buscavam uma ação pacífica. “As Centrais e nós pedíamos a todo momento que as pessoas não entrassem em confronto com a polícia, pra que não tivesse nenhum tipo de baderna, pois o ato era pacífico. E todos aqueles que estavam ali coordenados pela Centrais, representados por entidades sindicais ou mesmo trabalhadores e trabalhadoras que foram defender os direitos isoladamente, sem vínculo político ou vínculo sindical, respeitavam essa organização. Apenas esse grupo mesmo que, de fato, não tinha respeito e estava, com certeza, mal-intencionado”, conclui o presidente. A participação ativa do SEAAC nessas lutas mostra o posicionamento a respeito de tudo o que vem acontecendo em Brasília nos últimos dias e que interfere diretamente na estrutura, finanças e qualidade de vida de empregados, além de grande parte dos brasileiros.

 

 

Texto e pesquisa: Loyce Policastro/Netshare Marketing Criativo